Páginas

Sinopse:
Tory Bodeen viveu a sua infância na Carolina do Sul, numa pequena casa degradada, onde o pai imperava com um punho de ferro e um cinto de cabedal - e onde os sonhos que acalentava e os seus talentos nunca encontraram forma de se afirmar. Em compensação, porém, havia a pequena Hope, que vivia num casarão ali perto, e cuja amizade tornava possível que Tory fosse aquilo que lhe não permitiam ser em sua casa: uma criança.
Depois do brutal assassínio de Hope, que a polícia jamais esclareceu, a vida de Tory começou aos poucos a desfazer-se. Mas agora que finalmente se prepara para regressar à sua terra natal, e planeia aí instalar-se e abrir uma loja de decoração, ela sente-se determinada a obter um pouco de paz e a libertar-se das visões do passado que continuaram a persegui-la ao longo do tempo.
À medida que forja novos laços de afecto com Cade Lavelle - o irmão mais velho de Hope, herdeiro da fortuna da família - não consegue no entanto ter a certeza de que a tragédia que ambos experimentaram contribua de facto para os aproximar. Mas está disponível para ajudar a que isso aconteça, e sente vontade de abrir, pelo menos um pouco, o seu coração.
Contudo, viver assim tão colada à memória de uma infelicidade que tanto a marcou virá a revelar-se mais difícil e mais assustador do que Tory alguma vez imaginara. Até porque o assassino de Hope anda também por perto...


A minha opinião:
Um romance de uma beleza extrema. Graças às breves mas elucidativas descrições foi fácil enquadrar-me nos pântanos e quintas da Carolina do Sul. Mas não foram só as descrições que me cativaram a atenção, para isso contribuiu a escrita simples e a facilidade com que esta autora consegue colocar por escrito sentimentos e acontecimentos.
Gostei muito deste livro enquanto romance, mas enquanto livro de mistério/suspense foi razoável. A minha facilidade em descobrir o assassino logo de início suavizou o prazer de o estar a ler. Afinal teria de ser alguém que conhecesse a família Lavelle e as meninas Tory e Hope muito bem e teria de ser alguém que tivesse sido um pouco traumatizado/pressionado. O pai de Tory era demasiado evidente, por isso pensei logo na outra personagem que vei a revelar-se o verdadeiro assassino. No entanto tenho de admitir que também cheguei a suspeitar do juíz, amigo da matriarca da família Lavelle.
Um belo romance adequado para qualquer época do ano.
8.5/10
Lido a 10 de Agosto de 2008
Sinopse:
Não possui.


A minha opinião:
Ellen Kellaway sempre foi uma menina rebelde e um pouco revoltada com a sua condição de orfã. Foi criada por uma tia, Agatha, que lhe fazia sempre ver que lhe estavam a fazer um favor ao educarem-na, sempre evidenciando o enorme favor que era deixarem-na viver com estes familiares. No entanto, ao atingir os 18 anos, Agatha comunica que Ellen terá de se desenrascar sozinha e trabalhar para providenciar o seu próprio sustento. O ultimato está no ar e Ellen vê o medo e a preocupação pelo seu futuro ganharem poder na sua vida.
Após um autêntico turbilhão de acontecimentos trágicos envolvendo amor, traição e um assassinato/suicídio, Ellen vê-se com uma misteriosa carta nas mãos proveniente de um suposto familiar que a convida a ir à Ilha Far e conhecer os seus últimos familiares vivos por parte do seu pai, pai este que afinal esteve vivo estes anos todos. Mas existem planos para Ellen, planos que lhe ditarão a sua vida ou a sua morte.


Comprei este livro num alfarrabista que estava a vender destes livros aos pares, e confesso com vergonha, que só trouxe este para poder trazer um da Rosamunde Pilcher. Abençoada hora em que o comprei!
O livro pode enganar pela capa (edição da Círculo de leitores de 1989) que possui uma imagem romântica e lamechas, mas o seu conteúdo em tudo a contradiz. Se por ventura este livro fosse editado nos dias de hoje com uma capa melhorzinha podem apostar que seria um autêntico fenómeno de vendas. O livro é absolutamente espectacular!
Vivi com Ellen a sua infância, a sua atribulada adolescência, a ameaça da sua tia Agatha que lhe destruirá os sonhos, o seu noivado que acaba numa morte horrenda. Senti a surpresa e a suspeita com que Ellen recebeu a misteriosa carta, a sua ida à Ilha Far, o reconhecer do homem que se diz ser o senhor da ilha e finalmente o desvendar dos terríveis segredos do seu passado.
É um romance MARAVILHOSO - que retrata a vida do séc. XVIII/XIX - e é ainda um livro de mistério/criminal que me surpreendeu muito e o qual eu substimei.
9.5/10
Lido a 8 de Agosto de 2008


Sinopse:
Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais… uma corda usada num enforcamento… um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta, um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira.
“Vendo o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta.”

Por mil dólares, Jude tornar-se-á o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas – o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real.



Críticas da Imprensa:
“Uma obra de terror da maior qualidade.”
Time

“Uma história de terror desenfreada, hipnotizante e perversamente espirituosa.”
The New York Times

“Uma história de horror forte. Tem momentos genuinamente emocionantes.”
Library Journal

“Uma estreia memorável.”
Publishers Weekly

“Joe Hill criou uma obra que está ao nível de muitos clássicos do horror.”
Horror World Book Reviews

“A obra de Hill é tão assustadora como um telefonema de um amigo que morreu.”
Entertainment Weekly

“A Caixa em Forma de Coração é uma leitura assustadora.”
Chicago Sun Times



Sobre o autor:
Joe Hill é o pseudónimo utilizado pelo filho de Stephen King para assinar as suas obras, por não querer ser beneficiado pela fama do pai.
Nasceu em Bangor, no Maine, andou no Vassar College e licenciou-se em Inglês em 1995. Hill começou a escrever histórias e romances depois de terminar a faculdade, editando algumas histórias em 1996, catorze das quais reunidas na sua colecção de estreia, 20th Century Ghosts (2005). Também escreve para banda desenhada, incluindo o número Fanboyz da série Spider-Man Unlimited (2005).
Foi galardoado com o Ray Bradbury Fellowship e o A. E. Coppard Long Fiction Prize e ganhou o prémio William L. Crawford de melhor escritor de fantasia actual em 2006. Vive com a mulher em New England.


A minha opinião:
Uma excelente estreia do filho do aclamado Stephen King.
Tudo se inicia com um estranho leilão em que o objecto leiloado é um fato negro. Mas o problema é que o fato traz algo de sinistro consigo. Quem o comprar estará para sempre acompanhado pelo espírito maligno de Craddock McDermott. Um homem que em vida tinha sido tão cruel como o limite da nossa imaginação conseguir visualizar. Um homem que nem depois de morto descansa. Um homem com sede de sangue, com sede de vingança.
Judas Coyne colecciona tudo o que tenha a haver com o macabro e quando vê o leilão na internet não resiste e compra o fato. O que Judas desconhece é que desse fatídico momento em frente, a sua vida não terá mais sossego. A paz só virá com a sua morte e a morte de todos aqueles a quem Judas sente carinho e amor.
Se a isto tudo acrescentarmos uma motivação obscura e mortal para o tal leilão, então temos um livro perfeito para ler à noite em caso de insónia.
Não posso dizer que adorei lê-lo, mas sim que gostei mesmo muito. Já à muito tempo que não lia um livro de terror/ horror e gostei de conhecer a obra do filho de Stephen King. Já diz o velho ditado que filho de peixe sabe nadar.
7/10
Lido a 6 de Agosto de 2008


Sinopse:
Fiódor Dostoiévski (Moscovo, 1821 - S. Petersburgo, 1881) foi um notável escritor russo, autor de romances que marcaram profundamente a literatura contemporânea, como Crime e castigo (1866) e Os Irmãos Karamazov (1880). Explorando como ninguém os abismos da alma humana, Dostoiévski centra os seus livros no mundo interior das suas personagens, normalmente atormentadas por crises e obsessões demenciais e movidas por pulsões irracionais.
Em Coração Débil (1848), uma das primeiras obras do autor, acompanhamos a tragédia de Vássia Chumkov, um jovem apaixonado mas de temperamento fraco, a quem a felicidade parece transtornar. Amado por todos os que o rodeiam, Vássia desenvolve sentimentos de culpa por recear não corresponder às expectativas, deixando-se afundar progressivamente numa inquietação e numa tristeza incompreensíveis. Intenso e comovente, este livro revela bem o estilo febril do romancista russo.


O autor:
A minha opinião:
Um pequeno conto deste prestigiado autor russo que foi disponibilizado pelo DN. Aliás, foi mesmo o primeiro livrinho da colecção de clássicos que o DN está a distribuir neste verão.
Este conto retrata os trágicos dias que antecederam à perda de lucidez da personagem principal, Vássia Chumkov. Tudo se inicia com alegria, lágrimas, pulos, abraços e beijos na comunicação do noivado de Vássia com uma bela rapariga. Depois passa-se rapidamente a episódios neuróticos onde Vássia passa da gratidão para a culpa, da culpa para o histerismo. Confesso que não simpatizei nada com esta personagem temperamental e dramática. Penso mesmo que o autor deveria ter colocado como título "Uma mente débil" em vez de "Um coração débil". A fragilidade mental e sentimental extrema de Vássia persegue-nos ao longo de quase todo o conto e culmina num final trágico, embora previsível.
Basicamente trata-se do retrato de um jovem imaturo a quem a felicidade só lhe trouxe tristezas.
2/10
Lido a 3 de Agosto de 2008

Sinopse:
Traduzido pela primeira vez para português, Paul Auster é um novo valor da ficção norte-americana. O bestseller, The New York Trilogy é agora, a sua obra mais conhecida e a mais traduzida.
Palácio da Lua, obra posterior, é a narrativa do processo de crescimento do jovem Marco Fogg, a um passo do estado adulto. Marco está neste romance um pouco como Marco Polo quando iniciou a sua viagem até ao Extremo Oriente. Fogg, por outro lado, tem algo do Phileas Fogg que partiu para a volta ao mundo em 80 dias para tudo ver e experimentar. Apenas, a viagem de Marco Fogg é, não tanto
uma viagem física, mas uma viagem no espaço interior da personagem. Esta viagem tem as etapas essenciais da morte e do amor, e a estrutura do ser adulto vai-se contruindo. Nos princípios da vida de Marco Fogg, inícios dos anos 60, acontece a primeira viagem à Lua e, desde então, a Lua é a presença constante num firmamento nem sempre límpido. A Lua que representa a força do imaginário do Autor e a mudança de fase na vida de Marco Fogg.



Excertos:
"- As nossas vidas são condicionadas por múltiplas contingências - disse eu tentando ao mesmo tempo ser o mais sucinto possível -, e é para mantermos o equilíbrio que todos os dias lutamos contra todos esses acidentes de percurso e choques. Há dois anos, por razões tanto pessoais como filosóficas, decidi desistir desta luta. Não porque me quisesse matar (não pense isso), mas por pensar que, abandonando-me ao caos deste mundo, talvez o mundo me revelasse uma harmonia secreta, uma forma ou um padrão que me permitisse chegar ao fundo de mim mesmo. A ideia era aceitar as coisas tal como elas aconteciam, seguir ao longo da corrente que flui através do universo. Não estou a dizer que consegui fazer isso muito bem. Aliás, falhei redonda e miseravelmente. Só que o falhanço não invalida a sinceridade da tentativa. Estive quase a morrer, mas no entanto, penso que me tornei uma pessoa melhor."
Retirado da página 82



"«O Sol é o passado, a Terra o presente, a Lua o futuro»"
Retirado da página 215



A minha opinião:
Sempre gostei da escrita de Paul Auster. Uma escrita clara, limpa, concisa. Normalmente, o que Auster escreve chega até mim quase como se estivessemos a falar, por intermédio de uma amigável conversa, e não comigo a ler as palavras escritas, traduzidas e revistas por várias outras pessoas. No entanto devo admitir que quando peguei neste livro tive de parar e voltar a lê-lo desde o início. Não estava acostumada a uma escrita romanceada, quase fantasista neste autor e senti que estava a estranhar o que estava a ler.
Nas primeiras linhas do livro o autor resume tudo o que está retratado neste livro. Mas nem por isso este gesto insólito e surpreendente veio a diminuir os momentos mágicos que passei ao lê-lo. E o que é retratado é a vida irreal e mágica de Marco Frogg.
Enquanto jovem estudante e logo após concluir a faculdade, Marco, recebe um tremendo choque ao saber que o seu tio faleceu. Foi este tio que após a morte da sua mãe, o acolheu e o criou, uma vez que a identidade do pai de Frogg foi sempre um mistério, mistério este que cuja resolução foi levada com a mãe para a sepultura. Por isso Marco ao constatar que o seu muito amado tio faleceu tenta desligar-se de qualquer vestígio de sociedade e cai de cabeça num isolamento social, físico e mental, chegando a perder o pouco que possui e a viver dois anos nas ruas.
Depois de sobreviver a dois anos na rua, Marco, quase a morrer, é salvo por dois amigos que o acolhem e tentam ajudá-lo. A partir daqui é uma avalanche de acontecimentos irreais que se traduzirão em fantásticas coincidências. Coincidências que vão levar Marco Frogg a descobrir a identidade do seu avô, do seu pai e a revelar o mistério que a sua mãe tão zelosamente guardou.
Ao longo de todo o livro somos acompanhados pelas constantes referências à lua. Uma lua misteriosa e magnética que parece guiar a nossa personagem principal na sua lunática vida.
Não posso dizer que tenha gostado muito do livro, mas que apenas foi uma leitura agradável. Não é de todo, um livro que aconselhe como primeira leitura deste autor que tem livros maravilhosos.
5/10
Lido a 31 de Julho de 2008
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger