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Sinopse:
Rainer Maria Rilke (Praga, 1875-Valmont, 1926), escritor modernista alemão, é considerado um dos maiores poetas do século XX. A sua obra, profundamente marcada por uma percepção mística de Deus e da morte, é vastíssima, e inclui, entre muitos outros títulos, os livros de poesia Sonetos a Orfeu (1923) e Elegias de Duino (1923); o romance Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (1910); inúmeras cartas, entre as quais as mais conhecidas são as Cartas a um jovem poeta (escritas entre 1903 e 1908); e as Histórias do Bom Deus (1900), conjunto de narrativas articuladas que têm como fio condutor a busca individual de Deus. Estes textos, escritos com simplicidade e ao estilo dos contos populares, sugerem-nos que Deus se encontra no nosso mundo quotidiano, no meio dos objectos simples e das pessoas humildes, como as crianças, os pobres e os deficientes, procurando conhecer-nos tão ardentemente como nós O desejamos conhecer a ELE. De enorme sensibilidade poética, este livro comove-nos sobretudo pela beleza interior das suas personagens.


Sobre o autor:
Rainer Maria Rilke (1875-1926) é considerado um dos maiores poetas da Alemanha. Foi ele que criou o poema de "objecto", ou seja, o poeta tenta descrever com a maior claridade possível o objecto sobre o qual se debruça, "o silêncio da sua realidade concentrada".
O poeta nasceu em Praga em 1875. Um dos factos mais característicos da sua infância foi o facto da mãe o ter obrigado a vestir roupas de meninas, chamando-lhe inclusivamente Sophia. Talvez o desgosto de não ter nenhuma filha... De qualquer maneira, este facto marcou toda a vida do futuro poeta. Rilke culpou a mãe por essa infância, mas ao mesmo tempo ela foi a responsável pelo jovem começar a escrever poesia. Faleceu na Suiça em 1926.
Segundo Herberto Helder, a obra de Rilke começou por ser bastante influenciada pelo Impressionismo, embora já os temas principais do poeta fossem visíveis: a morte, a mística, etc. Mais, tarde, desenvolveu aquilo que eu referi antes: a poesia objectiva, embora secundada por um certo misticismo. No fundo, Rilke questionou a possibilidade do Homem viver sem Deus sendo que, neste caso, a alternativa mais provável ao aniquilamento seria a criação poética.
Ler mais pormenores aqui.


Excerto:
"(...) «Onde aprendeu essa história que há pouco tempo me contou?», perguntou finalmente. «Num livro?» «Sim», repliquei com tristeza, «os sábios enterraram-na lá, desde que morreu. E não foi assim há tanto tempo. Há cem anos ela ainda vivia, certamente sem preocupações, em muitos lábios. Mas as palavras que as pessoas agora usam, estas palavras pesadas, que não se podem cantar, foram-lhe adversas e foram-lhe retirando uma boca após outra até que por fim vivia, muito retirada e pobre, apenas em poucos lábios já secos, como uma propriedade em mau estado de uma viúva. Aí também acabou por morrer, sem deixar descendência, e, como já referi, foi enterrada com todas as honras num livro onde já se encontravam outras da sua estirpe.»"
Retirado das páginas 34 e 35


A minha opinião:
Mais um dos pequenos livrinhos de bolso que o DN anda a distribuir neste Verão.
Um livro de pequenos contos mas todos unidos pelo mesmo narrador e todos contados com a mesma finalidade, a de ser transmitida de boca em boca tentando chegar às crianças.
Todos os contos presentes neste pequenino livro possuem o mesmo tema - DEUS. Uma visão um pouco estranha de um Deus que nos criou mas que nos desconhece e que tenta de diversas formas descobrir o que é afinal o Homem e a Humanidade.
Este autor escreve com uma simplicidade e inocência extrema, quase como se os contos estivessem a ser-nos transmitidos oralmente. Na minha opinião, é este o objectivo final destes contos, o de não ficarem enterrados num livro.
5/10
Lido a 25 de Agosto de 2008

Sinopse:
Uma história de caça às bruxas, regicídio e frenesim religioso na França do século XVII...

Forçada pelas circunstâncias a procurar refúgio com a sua jovem filha na remota abadia de Saint Marie-de-la-Mer, a actriz Juliette reinventa-se como Sóror Auguste sob a tutela de uma bondosa abadessa. A pouco e pouco, Juliette adapta-se a tão grande mudança: ao colorido das viagens e constantes descobertas da sua vida de actriz seguem-se as novas exigências de uma existência em semi-clausura. Mas os tempos estão a mudar: o assassinato de Henrique IV transforma-se num catalisador para a sublevação em França, e a nomeação de uma nova abadessa, cuja ânsia pela Reforma não conhece limites, rapidamente destrói tudo aquilo que Juliette começara a amar na sua nova vida. Mas o pior está ainda para vir... A nova abadessa, Isabelle, é uma criança de onze anos, vinda de uma família nobre e corrupta, e faz-se acompanhar de um fantasma do passado de Juliette: disfarçado de clérigo, eis um homem que ela tem todas as razões para temer…

Tratando com subtileza um tema delicado – a religião como subterfúgio, como manobra de evasão face às dolorosas realidades da existência – Joanne Harris constrói uma história bem ao seu jeito, tocante e vívida, apaixonante desde a primeira página.


A minha opinião:
Um romance maravilhoso e mágico que retrata a vida nómada dos saltimbancos no séc. XVII.
A irmã Auguste, do convento de Sainte Marie de la Mer, vive em paz com a sua filha Fleur até ao dia em que a madre superiora morre deixando o caminho livre para alguém com os planos mais tenebrosos que se possam imaginar. Alguém do passado de Auguste, cujo último encontro entre ambos deixou-a grávida e à espera da forca. Alguém que sabe manipular os outros como se fossem peões num jogo. Alguém que sabe todos os segredos da verdadeira mulher escondida sob o nome de sóror Auguste. Alguém que não esquece e que anseia a vingança...
Adorei verdadeiramente cada página deste livro, cada momento deste relacionamento entre as duas personagens principais que balança entre o amor e o ódio.
O final foi surpreendente e com as reviravoltas necessárias para me deixar agarrada a este livro até ao fim.

Imagem da igreja de Sainte Marie de la Mer.

A localidade de Sante Marie de la Mer onde decorre este romance existe e é na realidade uma pequena vila piscatória que se localiza na costa de França, banhada pelo mar Mediterrâneo, na região de Camargue.


Escavações arqueológicas e diversas pesquisas e estudos têm revelado que este local tem sido considerado como sagrado por diversas culturas (Celtas, Romanos, Cristãos e mais recentemente Ciganos da Roménia).



9/10
Lido a 22 de Agosto de 2008



Sinopse:
Fifteen-year-old Kambili's world is circumscribed by the high walls and frangipani trees of her family compound. Her wealthy Catholic father, under whose shadow Kambili lives, while generous and politically active in the community, is repressive and fanatically religious at home.
When Nigeria begins to fall apart under a military coup, Kambili's father sends her and her brother away to stay with their aunt, a University professor, whose house is noisy and full of laughter. There, Kambili and her brother discover a life and love beyond the confines of their father's authority. The visit will lift the silence from their world and, in time, give rise to devotion and defiance that reveal themselves in profound and unexpected ways.
This is a book about the promise of freedom; about the blurred lines between childhood and adulthood; between love and hatred, between the old gods and the new.


Excertos:
"So when Papa did not see Jaja go to the altar that Palm Sunday when everything changed, he banged his leatherbound missal, with the red and green ribbons peeking out, down on the dining table when we got home. The table was glass, heavy glass. It shook, as did the palm fronds on it.
"Jaja, you did not go to communion," Papa said quietly, almost a question.
Jaja stared at the missal on the table as though he were addressing it. "The wafer gives me bad breath."
I stared at Jaja. Had something come loose in his head? Papa insisted we call it the host because "host" came close to capturing the essence, the sacredness, of Christ's body. "Wafer" was too secular, wafer was what one of Papa's factories made—chocolate wafer, banana wafer, what people bought their children to give them a treat better than biscuits."


"Papa sat down at the table and poured his tea from the china tea set with pink flowers on the edges. I waited for him to ask Jaja and me to take a sip, as he always did. A love sip, he called it, because you shared the little things you loved with the people you loved. Have a love sip, he would say, and Jaja would go first. Then I would hold the cup with both hands and raise it to my lips. One sip. The tea was always too hot, always burned my tongue, and if lunch was something peppery, my raw tongue suffered. But it didn't matter, because I knew that when the tea burned my tongue, it burned Papa's love into me. But Papa didn't say, "Have a love sip"; he didn't say anything as I watched him raise the cup to his lips."


A minha opinião:
Um livro marcante e poderoso.
A autora retratou na perfeição uma família nigeriana que tenta sobreviver a um golpe militar, ao mesmo que tempo que tenta sobreviver com os seus próprios segredos.
Toda a estória é contada pela jovem Kambili. É ela que nos vai revelando, aos poucos e de uma forma indirecta, os segredos que esta tradicional e profundamente religiosa família esconde. Sob a fachada de uma família perfeita se esconde um pai autoritário e religioso ao ponto do fanatismo; uma mãe reservada e dedicada mas que irá surpreender; um filho, Jaja, consciente das falhas graves desta família; e por fim, Kambili, a adolescente que tenta de todas as formas agradar a todos, especialmente ao seu exigente pai.
Toda a estrutura familiar começa lentamente a desmoronar-se quando, após um revoltante acto de violência, Kambili e o seu irmão vão para casa de uma tia. A mudança radical de ambiente familiar levanta dúvidas na mentalidade de ambos e revela os terríveis segredos que a fotografia de uma família perfeita esconde.
Este livro está escrito de uma forma simples o que torna a sua leitura bastante fácil, apesar do seu conteúdo ser quase acutilante. A brutalidade que se esconde debaixo de máscaras é por vezes, mais difícil de aceitar do que a violência clara e visível por todos. Acho que foi isto que me fez agarrar as páginas e indignar-me e revoltar-me com certas personagens e acontecimentos.
Um livro rico mas nada fácil de digerir.
7/10
Lido a 13 de Agosto de 2008
Sinopse:
Tory Bodeen viveu a sua infância na Carolina do Sul, numa pequena casa degradada, onde o pai imperava com um punho de ferro e um cinto de cabedal - e onde os sonhos que acalentava e os seus talentos nunca encontraram forma de se afirmar. Em compensação, porém, havia a pequena Hope, que vivia num casarão ali perto, e cuja amizade tornava possível que Tory fosse aquilo que lhe não permitiam ser em sua casa: uma criança.
Depois do brutal assassínio de Hope, que a polícia jamais esclareceu, a vida de Tory começou aos poucos a desfazer-se. Mas agora que finalmente se prepara para regressar à sua terra natal, e planeia aí instalar-se e abrir uma loja de decoração, ela sente-se determinada a obter um pouco de paz e a libertar-se das visões do passado que continuaram a persegui-la ao longo do tempo.
À medida que forja novos laços de afecto com Cade Lavelle - o irmão mais velho de Hope, herdeiro da fortuna da família - não consegue no entanto ter a certeza de que a tragédia que ambos experimentaram contribua de facto para os aproximar. Mas está disponível para ajudar a que isso aconteça, e sente vontade de abrir, pelo menos um pouco, o seu coração.
Contudo, viver assim tão colada à memória de uma infelicidade que tanto a marcou virá a revelar-se mais difícil e mais assustador do que Tory alguma vez imaginara. Até porque o assassino de Hope anda também por perto...


A minha opinião:
Um romance de uma beleza extrema. Graças às breves mas elucidativas descrições foi fácil enquadrar-me nos pântanos e quintas da Carolina do Sul. Mas não foram só as descrições que me cativaram a atenção, para isso contribuiu a escrita simples e a facilidade com que esta autora consegue colocar por escrito sentimentos e acontecimentos.
Gostei muito deste livro enquanto romance, mas enquanto livro de mistério/suspense foi razoável. A minha facilidade em descobrir o assassino logo de início suavizou o prazer de o estar a ler. Afinal teria de ser alguém que conhecesse a família Lavelle e as meninas Tory e Hope muito bem e teria de ser alguém que tivesse sido um pouco traumatizado/pressionado. O pai de Tory era demasiado evidente, por isso pensei logo na outra personagem que vei a revelar-se o verdadeiro assassino. No entanto tenho de admitir que também cheguei a suspeitar do juíz, amigo da matriarca da família Lavelle.
Um belo romance adequado para qualquer época do ano.
8.5/10
Lido a 10 de Agosto de 2008
Sinopse:
Não possui.


A minha opinião:
Ellen Kellaway sempre foi uma menina rebelde e um pouco revoltada com a sua condição de orfã. Foi criada por uma tia, Agatha, que lhe fazia sempre ver que lhe estavam a fazer um favor ao educarem-na, sempre evidenciando o enorme favor que era deixarem-na viver com estes familiares. No entanto, ao atingir os 18 anos, Agatha comunica que Ellen terá de se desenrascar sozinha e trabalhar para providenciar o seu próprio sustento. O ultimato está no ar e Ellen vê o medo e a preocupação pelo seu futuro ganharem poder na sua vida.
Após um autêntico turbilhão de acontecimentos trágicos envolvendo amor, traição e um assassinato/suicídio, Ellen vê-se com uma misteriosa carta nas mãos proveniente de um suposto familiar que a convida a ir à Ilha Far e conhecer os seus últimos familiares vivos por parte do seu pai, pai este que afinal esteve vivo estes anos todos. Mas existem planos para Ellen, planos que lhe ditarão a sua vida ou a sua morte.


Comprei este livro num alfarrabista que estava a vender destes livros aos pares, e confesso com vergonha, que só trouxe este para poder trazer um da Rosamunde Pilcher. Abençoada hora em que o comprei!
O livro pode enganar pela capa (edição da Círculo de leitores de 1989) que possui uma imagem romântica e lamechas, mas o seu conteúdo em tudo a contradiz. Se por ventura este livro fosse editado nos dias de hoje com uma capa melhorzinha podem apostar que seria um autêntico fenómeno de vendas. O livro é absolutamente espectacular!
Vivi com Ellen a sua infância, a sua atribulada adolescência, a ameaça da sua tia Agatha que lhe destruirá os sonhos, o seu noivado que acaba numa morte horrenda. Senti a surpresa e a suspeita com que Ellen recebeu a misteriosa carta, a sua ida à Ilha Far, o reconhecer do homem que se diz ser o senhor da ilha e finalmente o desvendar dos terríveis segredos do seu passado.
É um romance MARAVILHOSO - que retrata a vida do séc. XVIII/XIX - e é ainda um livro de mistério/criminal que me surpreendeu muito e o qual eu substimei.
9.5/10
Lido a 8 de Agosto de 2008
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