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Sinopse:
Mil e Um Fantasmas é uma das raras obras de Dumas dedicada ao fantástico, ao terror e ao sobrenatural. Através de uma original estrutura narrativa, encaixa diversas histórias separadas.
Durante um dia de caça em Fontenay-aux-Roses, Alexandre Dumas testemunha uma horrível tragédia: um homem que assassinara a mulher acaba de se entregar à polícia. Está aterrorizado: depois de decapitar a mulher com um sabre, a sua cabeça rolou na direcção dele e acusou-o. Nessa noite, Dumas é convidado pelo presidente da câmara para jantar. Devido aos acontecimentos do dia, cada um dos convivas relata uma história - cada uma mais aterradora que a anterior - acerca de acontecimentos inexplicáveis ou de natureza sobrenatural. Entre histórias de fantasmas, vampiros, espíritos vingativos e maldições eternas, uma suspeita prende-se à mente do leitor: os mortos podem caminhar entre os vivos…

A minha opinião:
Desconhecia esta faceta de Alexandre Dumas, um autor que conhecia pelos seus romances mais terra-a-terra e não retratistas do mundo sobrenatural como este livro.
Tudo começa com um rumor de que um homem de bom carácter tinha acabado de assassinar a própria mulher. Este rumor em breve é confirmado como sendo real, espantando todos os que conheciam o casal envolvido. Entre as testemunhas encontra-se Dumas.
Após o chocante e estranho relato do homicídio, Dumas é convidado para um jantar na casa do regedor. É neste jantar que o narrador e autor é apresentado a uma série de pessoas, cada uma com uma estória invulgar para contar. À medida que o jantar avança, somos apresentados aos pequenos contos relatados pelos convidados deste jantar.
É um livro que me deu algum prazer, principalmente nos últimos contos "A bracelete de cabelos" e "A história da Dama Pálida".
5/5
Lido a 10 de Abril de 2009
Sinopse:
Um thriller electrizante que agarra o leitor da primeira à última página.
Numa pequena universidade do Indiana, o Professor Williams apresenta um mistério aos estudantes matriculados na sua aula de Lógica: uma jovem desapareceu e os alunos terão de a encontrar até ao fim do período ou ela será assassinada. Os universitários acreditam que a história de Williams não passa de um exercício de lógica, mas depressa mundo real e exercício se fundem quando os jovens se deparam com um desaparecimento real nunca resolvido, que se assemelha de forma sinistra ao que o professor descreveu.
O que será real, o que será ficção e até que ponto irão os alunos obedecer à autoridade?
Aula de Risco é uma estreia diabolicamente inventiva que se lê como um passeio por um labirinto de espelhos. Nada é o que parece, até ao final devastador.

Excerto:
" - Puzzles - disse Dennis. Mantinha os olhos na estrada e o sol iluminava os seus óculos escuros com intensidade.
-O quê? - Brian queria que continuasse.
- Adora puzzles. Deviam ter visto o escritório dele. Tem uns puzzles chineses antigos. (...) Tinha feito alguns... bizarros.
- Que queres dizer com «bizarros»? - perguntou Brian.
- Que alguns eram mórbidos. Com cabeças decapitadas. Corpos nus. Violações. Eram repelentes. Viu-me a olhá-lo e guardou-os num armário, mas já vira o que chegasse.
(...)
- Dizes então que Williams nos orienta desta forma porque gosta de puzzles? - perguntou Mary. - Não sei se deva acreditar."
Retirado da página 199


A minha opinião:
Alguns estudantes universitários inscrevem-se na cadeira de Lógica onde o professor Williams era, até agora, um autêntico fantasma no campus. Ninguém o conhece, ninguém sabe como ele é e quem o conhece não quer falar dele.
A aula inicia-se com a atribuição de uma tarefa, a de resolver o mistério por trás do desaparecimento de uma rapariga, a Polly, até ao final do período. Os alunos têm seis semanas para descobrir o que aconteceu a Polly e onde ela está, para evitar que Polly seja assassinada. Para isso o professor vai dando pistas no final de cada aula.
Até aqui nada de muito extraordinário ou invulgar. Mas quando os alunos começam a analisar as provas que Williams lhes envia e vêem que tudo se passa na sua universidade com pessoas que conhecem, o caso muda de figura. Williams começa a brincar com fogo quando usa a vida dos seus alunos para a criação das suas pistas, ou serão pequenas e subtis ameaças?
Os primeiros capítulos foram de um avançar lento em que me perguntava "onde é que isto me leva?" Mas eis que chego à página 166 e literalmente o meu queixo cai! A partir daqui foi-me impossível largar o livro, na ânsia de chegar ao final que tanto queria saber, mas que começava a temer.
Tenho uma "imagem" perfeita para descrever este livro: uma calma mortífera antes de iniciar a terrível tempestade. Porque o resto do livro é mesmo isto, uma autêntica tempestade em que tudo é questionável, nada nem ninguém é de confiar, tudo o que parece de certeza que não é,... Há que ler bem o início deste livro para podermos perceber o desenlace. Eu mesma tive por vezes de reler algumas páginas que ficaram para trás para apenas poder desabafar "Pois é claro! Onde é que estava com a cabeça?"
Não é um livro para se ler nos momentos em que estamos mais ocupados ou sem grande tempo para nos dedicarmos à leitura. Este é um livro que exige tudo de nós; o máximo que as nossas células cinzentas (agora lembrei-me do Poirot) conseguem alcançar. Isto é a consequência de um livro labiríntico que está muito bem escrito permitindo a identificação do leitor com a trama - estavam as personagens a sofrer psicologicamente, e eu a acompanhá-las. Mas esta tortura psicológica que leva as personagens ao limite terá consequências inimagináveis.
8,5/10
Lido a 3 de Abril de 2009

Sinopse:
Em 1960, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Ele é apenas um adolescente. Ela é uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta e finalmente fazem amor. Mas este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece subitamente. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.
Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Traduzido em 39 línguas, foi galardoado em 1997 com os prémios Grinzane Cavour, Hans Fallada e Laure Bataillon. Em 1999 venceu o Prémio de Literatura do Die Welt.


A minha opinião:
Desde à muito que ouvia falar neste livro como uma obra de leitura quase obrigatória. Foi por isso que numa ida ao Hipermercado comprei-o, impulsionada também pelo preço baixo e pelo filme, baseado nesta obra, estar nas salas de cinema.
De início somos apresentados a esta estória de paixão e sexo entre uma mulher adulta e um jovem de 15 anos, o que me levou a pensar que este livro era um "Lolita" mas invertido. Aliás, quase metade do livro o é. Mas depois algo acontece, alguém desaparece, e a relação é interrompida. De repente surge o que eu considero a mais valia deste livro, como se fosse um pequeno baú de preciosidades no meio de um quarto mundano. Michael reencontra Hanna, enquanto esta está a ser julgada por ter sido uma das guardas de um campo de concentração, e aí Michael inicia uma série de reflexões sobre como é que as gerações alemãs seguintes devem enfrentar o Holocausto enquanto tenta perceber os seus sentimentos em relação a Hanna. A estória de amor nunca chega a atingir o seu auge e muitas verdades só são reveladas quando é tarde demais.
Já conhecia este autor, pois já tinha lido "Amores em fuga", um livro com pequenas estórias de amor, mas de um realismo pleno. Agora, após ter lido "O leitor" dou-me conta que este é o modus operandi deste autor. Não enfeita as suas estórias e o que nos conta pode passar-se na casa ao lado da nossa. É por isto que gosto bastante deste autor. Por vezes, a estória mais bonita é a mais realista.
8/10
Lido a 29 de Março de 2009
Excertos:
"Ao mesmo tempo, pergunto-me algo que já então começara a perguntar-me: como devia e como deve fazer a minha geração, a dos que nasceram mais tarde, acerca das informações que recebíamos sobre os horrores do extermínio dos judeus? Não devemos aspirar a compreender o que é incompreensível, nem temos o direito de comparar o que é incomparável, nem de fazer perguntas, porque aquele que pergunta, ainda que não ponha em dúvida o horror, torna-o objecto de comunicação em vez de o assumir como algo perante o qual só se pode emudecer de espanto, de vergonha e de culpa."
Retirado da página 70

"As camadas da nossa vida repousam tão perto umas das outras que no presente adivinhamos sempre o passado, que não está posto de lado e acabado, mas presente e vivido."
Retirado da página 144
Sinopse:
Embora viva na cidade mais romântica do mundo, Precious Rafferty nunca se apaixonou perdidamente. Até que conhece Bennett James. Estará na altura de se deixar, finalmente, arrebatar pelo romantismo e ter o casamento dos seus sonhos em Veneza?
Do outro lado do mundo, em Xangai, Lily Song, prima de Precious, guarda um valioso e perigoso segredo de família. Quando Lily suplica a Preshy que se encontrem em Veneza e a alerta para os perigos que corre, a vida de ambas vai mudar para sempre.
Entretanto, em Paris, Precious conhece o escritor Sam Knight, um homem cativante, mas desencantado com a vida. Precious sente Sam cada vez mais próximo de si e receia que ele esteja também enredado nesta emaranhada teia de perigo e desejo. Será que Sam também não é quem aparenta ser? Esconderá algum segredo terrível? Em Veneza, Precious terá de serpentear através de um labirinto de traição e sedução para descobrir a quem poderá confiar, de uma vez por todas, o seu coração... e a sua vida.
Empolgante, exuberantemente descritivo e inteligente, Casamento em Veneza é um jogo do gato e do rato com muitas reviravoltas e romances arrebatadores. A mestria narrativa de Elizabeth Adler no seu melhor.


A minha opinião:
Precious Rafferty é abordada por um homem lindíssimo que está claramente interessado nela e que se apresenta como Bennett James. Mas este não é o verdadeiro nome deste homem mistério e em breve Precious terá uma surpresa bem desagradável, pois Bennett desaparece na manhã do seu casamento. Como um mal nunca vem só, é nesta altura que Precious é contactada por uma prima que nunca viu e que lhe pede para encontrar-se com ela pois Precious corre perigo de vida. No meio desta confusão surge Sam Knight, um escritor americano bastante conhecido pelo estranho desaparecimento da sua mulher, do qual ele é o principal suspeito. Sem conhecer Precious (ou pelo menos é o que inicialmente parece) Sam oferece-se para a acompanhar neste encontro entre as duas primas, mas o encontro nunca se realizará devido a uma tragédia.
Ao ler as primeiras páginas tive logo a sensação de ser um livro demasiado cor-de-rosa para os meus gostos e sem grande emoção. Para isso contribuiu o facto de a autora revelar tudo sobre as personagens principais e sobre as suas intenções, o que me levou a pensar - "Ora muito bem, e agora como vais continuar a estória sem que eu deixe o livro a meio?" Se tiverem a mesma sensação, por favor não desistam. Insistam um pouco e serão recompensados. Admito que esta obra não é um primor da literatura mas eu gostei.
Antes de chegar a meio este livro abandona o rótulo de romance cor-de-rosa com lacinhos e corações esvoaçantes e transforma-se num romance excitante e viciante com traições, assassínios, e autênticos jogos entre gato e rato. Torna-se num policial bem levezinho, que me lembrou o estilo da Julie Garwood, uma autora que gosto bastante.
De louvar o cuidado que esta editora recente teve nos pormenores (adorei o marcador de livro), embora admito que gosto mais da capa original que tem mais em comum com o enredo.
Além disso apostou numa tradução acompanhada de revisão o que me vai levar a comprar mais livros.
O único ponto negativo a referir, veio da parte da autora que preferiu criar uma personagem principal feminina, fraca, demasiado crente e inocente ao ponto de me ter enervado algumas vezes.
7,5/10
Lido a 21 de Março de 2009
Sinopse:
Estepa, finais do séc. XVIII. A jovem Analisa chega de Madrid para acudir à tia moribunda. Uma vez lá, a jovem começa a sofrer de estranhos e terríveis pesadelos e de um mal subtil que parece consumi-la pouco a pouco. Um dia Analisa acorda dentro de um caixão. Junto a ela repousa a tia, aparentemente morta. Quando a jovem escapa e se sente a salvo, descobre que algo grave aconteceu. E sente a dor aguda da fome…
Madrid, princípios do século XXI. A verdadeira vocação de Alejo é a escrita. Assim, enquanto trabalha em telemarketing, dedica-se intensamente à investigação para aquela que será a sua grande obra literária. Até que Dário, o irmão da namorada, entra nas suas vidas. É um tipo estranho, que se considera «caçador de vampiros», e arrasta Alejo para o ambiente gótico de Madrid. Tudo muda no dia em que Alejo conhece Ana, uma mulher misteriosa e fascinante que se torna a sua única obsessão.


A minha opinião:
Analisa, uma jovem do séc. XVIII, viaja rapidamente como resposta ao pedido de ajuda da sua tia Ermesinda. Após algumas noites a pernoitar no casarão da sua tia, Analisa é assaltada durante a noite com estranhas visões e barulhos inexplicáveis. Além disso a jovem começa a sentir-se mais fraca mental e fisicamente. Um desenrolar rápido de acontecimentos leva-a a acordar num cemitério com a noção de que algo de terrível lhe aconteceu e a partir deste momento Analisa começa a fazer tudo o que pode para sobreviver nesta sua nova condição de "não-morta".
Os capítulos seguintes são autênticos saltos entre o passado e o presente de modo a que o leitor acompanhe a vida desta personagem nos dias de hoje, em Madrid, mas também que tenhamos, aos poucos, conhecimento da vida extraordinária que este ser teve.
Gostei desta estória de vida de uma vampira, ideal para quem gosta de romances. Ao contrário do que possam pensar este livro é bem suave. Apesar de admitir que gostei de o ler, sinto-me revoltada pela falta de respeito que esta editora teve com os leitores/compradores deste exemplar, porque é disto que se trata - FALTA DE RESPEITO! Não aconselho ninguém a comprar este livro devido aos muitos e frequentes erros de tradução e gramaticais (nem houve revisão antes da publicação). Mas atenção que os erros são dos mais simples e absurdos que se possam imaginar: "(...) coberto de silvas e ortigas (...)" página 40; "(...) era rara a ocasião em que o convidada (...)" página 43; "Ao que parecia tinha tentado emolar Carrigan (...)" página 49. E mais, muito, muito mais. Isto num livro de 302 páginas e cujo preço é elevado, não se admite. Por isso o meu conselho é que se o virem na biblioteca ou ao desbarato num alfarrabista aproveitem, de outra forma não. As editoras têm que entender que nós gostamos de ler sim, mas não somos parvos para admitirmos tudo. É uma pena que a Bico de Pena (não resisti ao trocadilho) não tenha tido mais consideração pela autora que escreveu um belo livro, pela obra em si que até nem é má, e por nós que adoramos ler mas não gostamos de pagar 19,50€ por um livro cheio de erros. Sem dúvida uma pena...
7,5/10
Lido a 15 de Março de 2009
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