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Sinopse:
Na cidade de Coventry, no norte da Califórnia, dois irmãos adolescentes vão passear num bosque, mas só um regressa. Ninguém sabe o que aconteceu a Josh, um rapaz de quinze anos incrivelmente dotado para a fotografia, até que, vinte anos mais tarde, o irmão mais velho, Oren, agora um ex-investigador criminal do Exército, regressa a Coventry pela primeira vez em muitos anos.
Na madrugada do seu regresso, ouve um barulho no alpendre. Caído à porta de casa está o osso de um maxilar humano, com os dentes ainda intactos. E o pai diz-lhe que já não é o primeiro. Já ali apareceram outros ossos. Josh está finalmente a voltar a casa... osso a osso.

Valendo-se de todos os seus conhecimentos como investigador, Oren decide resolver o mistério do homicídio do irmão, mas Coventry é uma cidade cheia de segredos. Entre os que têm segredos a esconder está a governanta, com um passado que ninguém conhece; o misterioso ex-polícia de Los Angeles; a mulher a quem chamam o monstro da cidade e, não menos importante, o próprio Oren. Mas o maior segredo é o do seu irmão, que nas suas fotos captara muito do que os habitantes de Coventry ciosamente escondiam, e só ao desvendá-lo Oren descobre a verdade que os assombrou a todos durante vinte anos.


A minha opinião:
Já tinha lido à uns anos atrás um outro livro desta autora - "O Oráculo de Mallory" - e já conhecia este estilo enganador e perspicaz de escrita que parece lento e com um desenvolvimento gradual mas que a páginas tantas nos vemos enredados na história de tal maneira que nos vemos confrontados com montes de dúvidas e perguntas que precisam de resposta. Este livro não é excepção, e além disso tem um ritmo mais rápido que o anterior que li.


O que me seduziu neste livro foi a sensação sempre presente de que todas as personagens das principais às secundárias tinham algo a esconder, um segredo do passado cuja revelação poderia destruí-los. A falsa ingenuidade, calma e sensatez de algumas personagens enganou-me bem e vi-me a mudar de suspeito mais para o final do livro.
Cada personagem tem uma profundidade e um carácter de tal maneira real que me esqueci de que estava a ler um livro e dava por mim a devorar as páginas como se de um filme se tratasse. Sem dúvida que na criação de ambientes e personagens esta autora é mestre.


Tudo começa quando a ovelha negra da cidade volta. Oren Hobbs não é visto à mais de 20 anos e não se pode dizer que seja bem-vindo, bem pelo contrário.
A vinda de Oren remexe em feridas antigas e segredos bem guardados, levantando um pó que ninguém quer limpar ou sequer ver que existe.
Desde o primeiro dia que há alguém que é extremamente simpático com Oren, alguém que foge dele literalmente, alguém que se recusa a apenas olhar para ele, alguém que o ama e protege, alguém que tenta, de forma descarada, matá-lo. E isto apenas nos primeiros capítulos. Adiciona-se a isto uns ossos humanos que continuam teimosamente a aparecer à porta do pai de Oren e do desaparecido Josh Hobbs e temos um livro que nos agarra e não nos larga.


Desvendar um pouco que seja seria destruir o prazer de futuros leitores, uma vez que grande parte do prazer que se retira deste livro é com os chamados "elementos surpresa". Assim deixo apenas a certeza de que é um livro muito, muito bem escrito e que me deu muitas horas de prazer puro.
Recomenda-se.


8/10
Lido a 23 de Junho de 2010

Sinopse:
Jo Ellen, fotógrafa de renome, pensava ter fugido à casa chamada Refúgio há muito tempo. Ali passara os seus anos mais tristes, depois do desaparecimento inesperado da mãe. Contudo, a casa que encima as praias exóticas de uma ilha ao largo da Geórgia continua a assombrá-la. E agora, mais assustadoras ainda são as fotografias que alguém lhe começa a enviar: primeiros planos sinistros e puros, culminando no retrato mais chocante de todos, o da mãe... nua, bela e morta. Jo terá de regressar à ilha da sua infância e à família que procurou esquecer. Com a ajuda de um homem, descobrirá toda a verdade sobre o seu trágico passado. Mas o seu Refúgio pode revelar-se o local mais perigoso de todos...


A minha opinião:
Depois de ter lido o "A pousada no fim do rio" e ter gostado bastante, este foi quase uma pequena desilusão.
Lê-se bem (como todos os livros desta autora) e possui todos os elementos necessários a uma boa obra, mas parece que ficou a faltar algo.

Jo Ellen é uma fotógrafa de sucesso, independente e emancipada, uma mulher solitária por opção. Mas quando alguém lhe começa a enviar fotos dela, Jo começa a sentir-se perseguida. Uma perseguição que termina num esgotamento nervoso e numa viagem forçada a casa em Desire, depois de ter recebido uma fotografia da sua mãe (supostamente desaparecida 20 anos antes) morta e numa pose forçada. O estranho é quando Jo começa a duvidar de si mesma porque a dita foto desapareceu sem dar pistas.

Quando Jo Ellen regressa à ilha, que foi o seu lar de infância, tem de confrontar algumas pessoas que sentem dor, muita mágoa e revolta em relação a si - o irmão Brian, a sua irmã Lexie, a sua tia e o seu pai - além de ter de reconstruir a sua própria sanidade mental e enfrentar mais alguns fantasmas do passado.
Adiciona-se a tudo isto o aparecimento de novas fotografias suas, desta vez tiradas na ilha, mulheres que começam misteriosamente a desaparecer, e o que resulta é a luta de uma mulher... a luta pela sobrevivência.

Com um enredo destes era impossível não ficar agarradinha até ao final, no entanto o desfecho cheio de clichés e lugares comuns mais um assassino previsível, estragou um pouco o meu prazer em o ler.

Como sempre a Saída de Emergência é mestre na beleza de publicar livros - o cuidado com o papel que constitui as páginas deste livro, a bela capa, o maravilhoso design, a atenção com a tradução e a revisão, tudo isto me deixa extremamente satisfeita e sem qualquer remorsos em deixar 16 euros na livraria.

6,5/10
Lido a 18 de Maio de 2010
Sinopse:
Geralt de Riv é um personagem estranho, um mutante que, graças à magia e a um longo treino, mas também a um misterioso elixir, se tornou um assassino perfeito. Os seus cabelos brancos, os seus olhos que vêem melhor de noite que de dia, o seu manto negro, assustam e fascinam. E Geralt dedica-se a viajar por terras pitorescas, ganhando a vida como caçador de monstros. Pois nos tempos obscuros que lhe couberam em sorte abundam ogres e vampiros, e os magos são especialistas da manipulação. Contra todas essas ameaças, um assassino hábil é um recurso indispensável. Ora Geralt, que é ao mesmo tempo um guerreiro e um mago, tem capacidades que o fazem impor-se a todo esse estranho mundo. É um feiticeiro. E é absolutamente único.

No decurso das suas aventuras, encontrará uma sacerdotisa autoritária mas generosa, um trovador lascivo mas de bom coração, e uma feiticeira caprichosa, de encantos venenosos. Amigos por um dia, amantes de uma noite. Talvez porém que no final da sua epopeia ele possa realizar o seu último desejo: reencontrar a sua humanidade perdida…



A minha opinião:
Apesar de ter estado muito tempo sem dar notícias o vício de ler não foi esquecido, apenas diminuiu o seu ritmo. E para me acompanhar numa altura difícil, não poderia ter escolhido melhor livro.
Construído sob a forma de pequenos episódios ou pequenos acontecimentos, tal como se de uma série de televisão se tratasse, os capítulos vão retratando as aventuras e peripécias de um feiticeiro-mutante nómada que viaja de terra em terra à procura de pequenos trabalhos a lutar com diversos monstros e homens mágicos, de forma a libertar as populações da destruição ou escravidão.


Adorei acompanhar a personagem Geralt (que desde as primeiras páginas se chama Geraldo), como se de um MacGyver do fantástico se tratasse. Cada capítulo era iniciado e em pouco tempo lido. Como a leitura era empolgante, tentei sempre começar um novo capítulo quando tinha uma ou duas horas vagas para poder levá-lo até ao fim.
O livro está bem escrito e a tradução, apesar de não ser acompanhada de revisão, não possui muitos erros.
De valorizar a escolha da imagem da capa que tem tudo a ver com o seu conteúdo.
Apesar de ter gostado bastante do livro, o seu final deixou um pouco a desejar. Talvez porque eu goste de finais, quer sejam finais felizes ou infelizes, mas de um END. Não foi isto que encontrei. O fim é deixado em aberto, ao critério de cada um de nós.
Assim, na minha humilde opinião, acho que foi um livro com um excelente início e meio, mas com um desfecho irritantemente insuficiente e insípido.
6/10
Lido a 12 de Maio de 2010
Sinopse:
Entrem num mundo encantador onde o verdadeiro amor nunca morre...

Depois de um terrível acidente que lhe matou a família, Ever Bloom, de dezasseis anos, consegue ver as auras das pessoas que a rodeiam, ouvir os seus pensamentos e conhecer a história da vida de qualquer pessoa através de um simples toque. Desviando-se, sempre que possível, no sentido de evitar qualquer contacto humano e de esconder esses dons, Ever é vista como uma anormal na escola secundária à qual regressa. Mas tudo muda, quando conhece Damen Auguste.
Damen é encantador, exótico e rico. E é a única pessoa que consegue silenciar o ruído e as manifestações de energia que invadem a cabeça de Ever. Ele transporta uma magia tão intensa que parece conseguir ler a alma de Ever. À medida que Ever é arrastada para o sedutor mundo de Damen, onde abundam os segredos e os mistérios, começam a surgir-lhe mais perguntas do que respostas. Além de que não faz ideia de quem realmente é... ou daquilo que é. Apenas sabe que se está a apaixonar desesperadamente.


A minha opinião:
Com um começo a lembrar o famoso livro "Crepúsculo" e com um conteúdo claramente dirigido a um público mais juvenil era para pensar que o meu prazer em lê-lo seria diminuto. Mas depois de ter lido um livro tão completo e de certa forma exigente como foi a minha anterior leitura, este (como se diz por aqui) caiu que nem ginjas.

"Eternidade" não é nenhuma obra prima mas sim uma boa promessa de uma boa série. Com pitadas de originalidade e um tom de frescura na escrita, Alyson Noël é uma autora que irei estar atenta.

Ever é uma adolescente que se sente culpada com o trágico acidente que vitimou toda a sua família, incluindo Botão de Ouro, o cão da família.
A contar com apenas uma tia no mundo, Ever começa uma nova etapa na sua vida, uma etapa que se adivinha difícil e tumultuosa, não só por causa da perda da sua família, mas também pelas estranhas aparições da sua falecida irmã e pela capacidade que Ever tem de ler a mente das pessoas.
Além de todas estas dificuldades, Ever ainda tem de lidar com o estranho e misterioso Damen e com um(a) assassino(a) que planeia o seu fim de vida antecipada da forma mais cruel possível.

Um pequeno bombom de prazer fantástico que devorei em três horas.
Fico agora à espera dos restantes volumes.
6/10
Lido a 23 de Abril de 2010
Sinopse:
Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.


A minha opinião:
Terminei a leitura deste livro com a sensação de vir à tona, como se à poucos momentos atrás estivesse estado prestes a afogar-me.
Ainda algo zonza e com a mente pouco lúcida preparo-me para escrever esta breve opinião, com a certeza prévia de que todas as palavras que possa escrever serão parcas em sentido e em conteúdo e que a experiência que acabei de ter apenas será possível ao ler o livro.

Já tinha lido um livro deste autor, mas que não me tinha impressionado. Pelo que desta vez resolvi experimentar este, que tantas boas opiniões tem tido.

A escrita de David Soares não se pode classificar. É algo impossível de rotular como sendo ficção, romance histórico ou de fantasia. Simplesmente é uma miscelânea de todos os ingredientes, na quantidade certa para dar a sensação ao leitor de plenitude. Não tenho maneira de me exprimir melhor do que desta - sinto que acabei de sair de um labirinto de corredores cujas paredes estavam todas engalanadas com quadros do mestre Dali.


O autor tenta, de uma forma bem documentada, mas totalmente ficcionada, explicar a origem dos famosos painéis de S. Vicente, criados pelo pintor Nuno Gonçalves, ao mesmo tempo que nos retrata um Portugal medieval.

Até o seu estranho e algo caótico nascimento que Nuno Gonçalves foi original e de alguma maneira demoníaco.
Aquando dos seus parcos 9 anos começa a apaixonar-se pela forma e odor dos ossos de cadáveres. Nuno encontra uma beleza quase perfeita nestes alicerces que antes formavam os seres vivos e simplesmente não lhes consegue resistir. É esta obsessão que dará origem a homicídios perpretados pelo próprio e que lhe permitirá pintar seres humanos na perfeição.

"(...) O truque que eu uso, e é um gosto revelá-lo a Vossa Excelência, que mostrou fina inteligência artística, é imaginar os ossos do modelo. (...) O truque é, lá está, partir de dentro para fora." Excerto da página 246

Mesmo que por alguns momentos me tenha sentido inquieta com a fria crueza do que lia, não posso deixar de admitir que este é um grande livro e que mudei completamente a ideia que tinha acerca deste autor português.
Uma excelente leitura.
8/10
Lido a 22/04/2010


Painéis de S. Vicente
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