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Sinopse:
Num vale belo e pacífico desponta uma antiga casa de pedra, conhecida como Mas Lunel. O seu proprietário é Aramon Lunel, um alcoólico de tal forma assombrado pelo seu passado violento que é incapaz de qualquer existência relevante, negligenciando os cães de caça e a propriedade da família. Numa casinha à vista de Mas Lunel mora a sua irmã, Audrun, que sonha com a vingança de todas as tragédias que lhe destruíram a vida.
Este mundo fechado e abalado por experiências sinistras é visitado por Anthony Verey, um negociante de antiguidades exilado, oriundo de Londres, que espera poder reconstruir a sua vida em França e começa a visitar propriedades na região.

Dois mundos e duas culturas colidem. Ultrapassam-se limites ancestrais, quebram-se tabus, comete-se um crime. E, enquanto o mundo desaba, as colinas de Cévennes observam.


A autora:

Rose Tremain é uma conhecida autora de romances, contos e peças de teatro. Vive em Norfolk, Londres, com o biógrafo Richard Holmes.
Os seus livros estão traduzidos em diversas línguas, e têm conquistado muitos prémios, entre os quais, o Whitebread Novel of the Year, o Prémio James Tait Black Memorial, o Prémio Femina Etranger, o Prémio Dylan Thomas, o Angel Literary Award e o Livro do Ano do Sunday Express.
Restauração foi nomeado para o Booker Prize e adaptado a filme; The Colour foi nomeado para o Orange Prize e seleccionado pelo Clube de Leitura do Daily Mail. A mais recente colectânea de Rose Tremain, The Darkness of Wallis Simpson, foi nomeada para o First National Short Story Award, bem como para o Frank O’Connor International Short Story Award. Regressar a Casa (The Road Home) foi galardoado com o Orange Prize for Fiction 2008.


A minha opinião:

Este não foi um livro fácil de ler... pelo menos de início. A autora optou por fazer uma abordagem quase estéril das personagens durante quase todo o livro, só revelando a verdadeira natureza de cada um, quase nas páginas finais. Tal escolha tornou difícil que sentisse simpatia ou mesmo empatia por estas personagens.
Mas o ex-libris deste livro é a trama. De um lado temos dois irmãos franceses, Aramon Lunel e Audrun Lunel, sua irmã; do outro lado temos dois irmãos ingleses, Victoria e Anthony Verey. Pelo meio surge uma criança que se afasta da sua turma e da sua professora e descobre algo trágico e traumático nas planícies francesas.

Aos poucos a autora deixa-nos entrar neste mundo dos irmãos Lunel e das suas fixações pela casa de família - Mas Lunel. Outrora um lar imponente, veio a degradar-se irreversivelmente a partir do momento em que Aramon herdou a propriedade após a morte dos pais. Audrun herdou uma pequena floresta onde possui a sua pequena casinha.
As constantes recordações que pairam e assombram a restante família Lunel, empresta a esta narrativa uma aura de pesar e negrume. E aos poucos vamos vendo que esta luta entre ambições e invejas irá, com toda a certeza, acabar mal.

Quanto aos dois irmãos ingleses, Victoria vive em França onde é, aparentemente feliz. Enquanto que o seu irmão, um vendedor de antiguidades que não gosta de vender as suas peças por considerar que os compradores não possuem a consciência das riquezas que Anthony vende, ainda vive em Londres. Mas Anthony encontra-se em falência e começa a ponderar viver em França, onde a sua irmã é feliz. É desta forma que Anthony, o inglês, e Aramon, o francês, se encontram e decidem na compra e venda de Mas Lunel, nem que isso signifique passar Mas Lunel para mãos estrangeiras e "que a casa de sua irmã, tenha que ser destruída para garantir o negócio".
Os trágicos acontecimentos que se adivinhavam, começam a desenrolar-se de uma forma vertiginosa, até que o leitor se vê num vórtice de uma vingança genialmente planeada.

Um livro que para mim constituiu um arranque difícil mas que me conquistou pelo final.
Uma surpresa literária agradável.
6/10
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