Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
A caminho da escola, levado pela mão do pai, Pippo é atingido por uma bala perdida no meio de uma refrega das máfias de Nápoles. Matteo e Giuliana, os pais, passam a viver obcecados pela vingança - mas Matteo não consegue a coragem necessária para abater Cullaccio, o responsável pela morte do seu filho.
Abandonado pela mulher, Matteo vagueia pela noite de Nápoles, onde travará conhecimento com um conjunto de personagens estranhos: Grace, um travesti felliniano, Garibaldo, dono de um café que permanece aberto toda a noite, o velho padre Mazerotti e o professore Provolone, um especialista em questões esotéricas que lhes garante que é possível descer aos Infernos e que conhece, na própria Nápoles, uma das entradas possíveis.
Acompanhado do padre, Matteo aventura-se então nas entranhas do Reino dos Mortos em busca do seu filho perdido...
Misturando o real e o fantástico, Laurent Gaudé - Prémio Goncourt de 2004 e uma das vozes mais importantes da actual literatura francesa - oferece-nos com A PORTA DOS INFERNOS um romance admirável sobre um dos mitos mais poderosos da história da humanidade.



A minha opinião:
Este não é um livro para se ler de ânimo leve. É a história de uma tragédia familiar que deixa as suas marcas profundas em todas personagens envolvidas.
Tudo começa quando, em 1980, Pippo, um menino de 6 anos, é apanhado no meio de um tiroteio entre grupos de mafiosos rivais e morre nos braços do seu pai, Matteo. A partir deste momento tudo se desmorona, tudo é negro, perverso e tudo se move em busca de uma solução que traga a vingança e a paz a um pai e a uma mãe que perderam o ânimo de viver.
Depois de muita procura e com a ajuda de um grupo de amigos no mínimo peculiar, Matteo consegue descobrir onde se situa a entrada para o Inferno de forma a resgatar das profundezas sombrias o seu amado filho. Matteo consegue, mas não sem pagar um elevado preço.
Com Pippo devolvido à vida, é este que irá realizar a tão esperada vingança contra aqueles que destruíram a sua família.
Um livro muito bem escrito, com passagens poderosas e que nos faz pensar sobre o quão poderosas são as ligações humanas baseadas no amor ou na obsessão...
8/10
Lido a 18 de Dezembro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
Velho, cínico e assombrado pela memória das mulheres que não soube amar, preso entre o fascínio pelos marginais que deveria perseguir e o desprezo dos seus superiores, que sonham vê-lo reformado, o inspector Méndez vagueia por uma Barcelona cuja modernidade o acossa, saudoso da cidade gloriosa de outrora. As décadas que passou ao serviço da polícia não deixam que Méndez confunda verdade com justiça, e este velho cavalo de guerra da lei não se deixa iludir facilmente.
Quando se depara com um bizarro crime que envolve um cadáver e uma cadeira de rodas, Méndez mergulha na aventura mais vertiginosa e sentimental da sua vida - uma história de solidões, frustrações, nostalgias e inesperadas ternuras. Uma mulher presa a um passado longínquo e perdido, um homem casado apaixonado por um antigo amante, um amor inesperadamente platónico e um conjunto de vidas tragicamente interligadas levam Méndez a descobrir que se pode morrer por sonhar demais e que o homicídio pode ser o derradeiro acto de ternura.

A minha opinião:
Ora aqui está um bom exemplo de não se deve julgar um livro pela sua capa. Apaixonei-me de imediato pelo título e pelo design da capa. Aliás, o meu primeiro pensamento foi "este livro vai-me encher as medidas", nada disso, nem de longe.
A linguagem vulgar, a escrita ora directa ora confusa/enigmática fez com que o meu entusiasmo morresse na página 76. Mesmo assim terminei-o com muito esforço e muita desilusão.
Apesar de o livro ter ganho o prémio Mystère de melhor romance estrangeiro, não acho que o mistério em si fosse assim tão excepcional.
Enfim... às vezes acontece.
2/10
Lido a 4 de Dezembro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
Emilie, uma menina de nove anos, desaparece uma tarde no caminho de regresso da escola. Uma semana depois, desaparece um outro rapaz de cinco anos. Este aparece pouco tempo depois numa embalagem enviada à sua mãe com uma nota a dizer diz: “Agora tens o que mereces”.
O inspector Stubø, como toda a Noruega, está horrorizado com o desaparecimento das crianças, mas não tem nenhuma pista. Pede então ajuda a Johanne Vik, uma antiga profiler do FBI, que se mostra pouco cooperante no início, enredada na resolução de um caso de erro judicial antigo que levou um inocente para a prisão, mas acaba por ajudar Stubø neste perverso caso.


A minha opinião:
Quem me conhece sabe do gosto que tenho em ler este tipo de livros - thrillers, com muito mistério e adrenalina à mistura - e este tinha em si a promessa de que seria muito bom.
Confesso que apesar de ter gostado, ficou um pouco aquém das minhas expectativas.
O enredo base é excepcional, o fim é labiríntico e fabuloso. No entanto, achei que a meio do livro a autora andou a prolongar demasiado a estória sem nada a acrescentar. Além disso os nomes das personagens em norueguês fez com que por vezes tivesse de voltar atrás umas quantas páginas.
No final do livro surge um posfácio da autora em que esta nos explica que tudo o que lemos tem um fundo verídico! Fiquei aparvalhada. Claro que grande parte dos pormenores são ficção mas mesmo assim é impressionante.
Quanto ao trabalho da editora, dou-lhes os parabéns pela escolha do design e todo o trabalho que esteve na criação da capa que sem dúvida me captou a atenção. Mas tenho de referir a má escolha do papel, um papel fininho e sedoso (de tal forma sedoso que deve ter dificultado a impressão e em duas páginas as letras estavam muito pouco visíveis).
De parabenizar o trabalho simplesmente impecável de Susana Duarte pela tradução e Anabela Mesquita pela revisão. Em quase 300 páginas encontrei apenas um erro mínimo (troca de uma letra). Isto nos dias de hoje é algo raro de encontrar e fico sempre contente quando vejo uma editora que não defrauda os leitores e aposta numa tradução acompanhada por revisão. Quantas vezes disse isto aqui? Dezenas, com certeza. Mesmo assim continuo a ler livros que enervam tal é o desleixo nestes assuntos. Uma pena!
Apesar dos aspectos negativos referidos, é um bom livro e que recomendo. Isto porque realmente a imaginação que esta autora revelou num enredo com um final como este em que todas as pontas se unem e têm lógica... é de apostar! Além disso adorei a dupla que se criou neste livro, o inspector Stubø e a doutora Vik hão-de dar ainda muito que falar e pensar.
Já reparei que a editora tem mais dois livros desta autora, e mal acabei este já comprei o próximo. Mais um para a looonga lista de livros que anseio ler ainda este ano.
7/10
Lido a 21 de Novembro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
Somos os Predadores da Noite. Defendemos a Humanidade da destruição. Existimos para além do reino da Vida, para além do reino da Morte. E somos Eternos.

Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples... Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los –
aos dois.


Excerto:
"O bebé berrou ainda mais alto, tentando alcançar a minha mãe. A mãe dele. Ela afastou-se, apertando mais fortemente o outro gémeo que tinha nos braços.
- Não o amamentarei, nem lhe tocarei. Levem-no daqui!
A sábia levou a criança ao pai.
- E vós majestade? Não reconhecerás?
- Nunca. Essa criança não é meu filho.
(...)
- Assim sendo, chamar-se-á Acheron do Rio de Sofrimento. Tal como o rio do Submundo, o seu percurso será escuro, longo e sofredor. Terá a capacidade de dar vida e de tirá-la. Viverá só e abandonado, sempre procurando bondade e sempre encontrando crueldade.
(...)
- Que os deuses tenham piedade de ti, pequenino. Ninguém mais terá."
Retirado da página 23



A minha opinião:
Acheron é o filho da deusa da morte, da destruição e da guerra, Apollymi, e do seu marido, o deus atlante Archon. Mas Archon, com a mente envenenada pelas filhas, ordena a morte do seu filho ainda por nascer, o que vai levar a um acto de desespero por parte de Apollymi que ao tentar que o seu filho viva longe dos que lhe querem mal, envia-o para viver junto dos Humanos.
Nasce assim Acheron, irmão gémeo de Styxx. Um príncipe desprezado de Didymos e cuja própria família o envia para um destino horrível, capaz de enojar e revoltar os leitores mais sensíveis.
A partir deste momento é um deslindar de acontecimentos preenchidos por sofrimento, dor, lutas, tragédias, amor, traição e torturas.
Este livro é um verdadeiro épico de drama e da busca de uma identidade. É impossível não sentirmos compaixão e um certo fascínio pela personagem principal.
No final, fica a sensação de continuação, pelo que espero que esta editora aposte na publicação do volume seguinte.
Um livro muito bem conseguido, mas com um início difícil de ler, com todas as torturas e sofrimentos.
8/10
Lido a 15 de Novembro de 2009

 

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Sinopse:
O conto que dá o título ao livro "O Crime de Lord Saville" conta a história de um jovem aristocrata londrino do final do século XIX, Artur Saville, que está noivo da bela Sibila Merton.
Tudo começa quando Lorde Artur conhece Septimus Podgers, um quiromante que Lady Windermere convida para mais uma das suas festas.


A minha opinião:
Desde a adolescência que sou fã das obras de Oscar Wilde. Nessa altura li "O retrato de Dorian Gray" numa idade em que para mim o que Wilde retratou fazia todo o sentido. Gosto da sua ironia, da sua irreverência e do modo como ele esmiuça o aspecto psicológico das personagens.
Wilde não se detém em descrições sobre as suas personagens. Ele deixa que os actos que elas realizam falem por si só, permitindo ao leitor ter uma ideia clara do carácter e do tipo de pessoa que são.
Este pequenino livro é mais um exemplo disso mesmo. Constituído por apenas dois contos - O crime de Lorde Arthur Savile e A Esfinge sem Segredos - este é um prazer rápido.
O segundo conto já o conhecia pois normalmente é sempre inserido nas colectâneas de contos deste autor. Quanto ao primeiro, não o conhecia, o que elevou ainda mais o meu prazer em revisitar este autor da minha estima.
7,5/10
Lido a 25 de Outubro de 2099

 

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Sinopse:
Antes de a noite cair estaria casada… ou morta!

Como herdeira do clã MacDougall, Lara, a senhora de Lorne, sabia que quando se casasse não seria por amor, no entanto nunca imaginara que o seu casamento fosse uma punição. Quando Robert Bruce ganhou o controlo do castelo, Lara viu-se obrigada a casar-se com um dos homens dele, Sebastien de Cleish.
Leal ao seu clã, Lara jurou não se render ao audaz guerreiro. Todavia, sob a cota de malha e a armadura, escondia-se o coração bondoso de um cavalheiro disposto a fazer de Lara a sua esposa… em todos os sentidos.


A minha opinião:
Como consequência de ter viajado e esquecido de trazer o livro que ando a ler, eis que me vejo em frente às estantes à procura de uma leitura rápida. Pois foi este o que veio comigo.
Este pequeno livro de bolso oferece tudo - crime; guerra; assassinatos; espionagem; ciúme; amor... - e eu como leitora agradeço.
Admito que desconhecia esta autora e este é mesmo o meu primeiro contacto com uma obra sua.
Apesar de se tratar de um livro pequeno, nota-se que a autora teve muito trabalho durante a escrita deste (por demais evidente na Nota da autora, onde se revela que este enredo é baseado num facto real, a batalha de Brander Pass.
Resumindo, é um livro bem construído e sem qualquer pressa na finalização. O único senão é a fraca caracterização psicológica de algumas personagens.
Se quiserem ler um pequenino excerto podem vê-lo aqui.
Sem dúvida um pedacinho delicioso de romance histórico.
6/10
Lido a 24 de Outubro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva

Depois de 2 semanas de trabalho intenso e stress, eis que espreito o meu blog e vejo uma enorme avalanche de carinho celebrada através de selinhos!
Agradeço-vos do fundo do coração a amizade e a atenção com que seguem este meu pequeno cantinho!
Como agora é impossível ofertar, para cada selo, 5 ou 6 blogues, vou oferecê-los a todos os que me visitam e gostam do que escrevo por aqui.
Desta vez, fui prendada com gestos de apreço e amizade da Catarina, da Marta, da Diana, da Jojo e da Laelany. Muito obrigada a todas!








PS - Para as pessoas que estão à espera da minha opinião sobre o livro "Acheron" posso já adiantar que apesar da leitura andar lenta, o livro é maravilhoso!

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
O coração pode ser tocado pela magia... mas o poder do verdadeiro amor é mais forte que qualquer encantamento...

Parece uma vila bucólica igual a tantas outras, mas esconde um segredo antigo de todos os visitantes…
Sugar Maple é uma terra encantada habitada por feiticeiras, fadas, vampiros e outras criaturas mágicas. Chloe Hobbs é a única que não tem poderes especiais naquele lugar onde nada é o que parece.
Chloe é a proprietária da Sticks & Strings, uma popular loja de artigos de tricô. Mas é também a última descendente de uma longa dinastia de feiticeiras com o futuro de Sugar Maple nas mãos. Chloe sabe que tem de se apaixonar para receber os poderes mágicos e continuar a proteger a sua terra natal. Mas, aos 30 anos, ainda sonha com o verdadeiro amor e as amigas decidem lançar feitiços para a ajudar a encontrar o homem dos seus sonhos. O que ninguém esperava era que Chloe se apaixonasse perdidamente por Luke MacKenzie, o polícia destacado para investigar o primeiro crime ocorrido em Sugar Maple e cem por cento humano. Se o amor abre finalmente a porta aos seus poderes mágicos, esses mesmos poderes impedem Chloe de sonhar com um futuro ao lado de Luke…



A minha opinião:
Mal vi este livro apaixonei-me de imediato pela maravilhosa capa. É simplesmente bela. Os meus sinceros parabéns pelo excelente trabalho no design da capa, responsabilidade de Maria Manuel Lacerda da Oficina do Livro.
Depois veio a curiosidade de ler a sinopse e... nunca mais larguei o livro. Trouxe-o para casa com a certeza de que seria uma leitura a acontecer brevemente.
Peguei-lhe hoje de manhã e pouco após o almoço terminei-o.
Trata-se de uma leitura leve, mágica e juvenil. Apesar de no início o livro parecer-me que ia cair no absurdo, este veio a redimir-se após a entrada de Luke em cena. A partir deste momento senti que a autora melhorou a descrição de acontecimentos e refreou um pouco o vulcão criativo que já começava a roçar o exagero (mistura trolls, com vampiros, com duendes, com fadas,...).
Neste caso decidi não revelar muito do enredo nesta minha opinião, pois acho que a sinopse já revela bastante e não gostaria de estragar a leitura a alguém que o compre. Além disso, quem lê a sinopse praticamente sabe todo o enredo.
Foi uma leitura que embora leve, fresca e quase sem profundidade, mostrou-se agradável e muito saborosa. Um livro ideal para os dias mais cinzentos, com garantia de devolução de um coração mais leve e um sorriso nos lábios.
6/10
Lido a 11 de Outubro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
É meia-noite do dia 30 de Junho de 1860 e tudo está calmo na elegante casa da família Kent, em Road, Wiltshire. Contudo, na manhã seguinte, acordam e descobrem que o filho mais novo foi vítima de um crime extraordinariamente macabro. Pior ainda, o culpado é, de certeza, um dos seus - a casa estava trancada por dentro.
Jack Whicher, o detective mais célebre da sua época, chega a Road para descobrir o assassino. Entretanto, o crime está já a provocar a histeria nacional perante a ideia dos podres que poderão existir por detrás das portas fechadas dos respeitáveis lares de classe média: serviçais intriguistas, filhos rebeldes, insanidade, ciúme, solidão e ódio.

Uma história verídica que abalou a sociedade da época e cujos ecos se fazem ouvir ainda hoje, na sociedade, na literatura e na investigação criminal.


Entrevista com a autora:



Excertos:
"(...) do detective francês Eugène Vidocq. (...) O francês - um mestre do crime que se tornara chefe da polícia - era o herói-detective com o qual os seus homólogos ingleses eram comparados."
Excerto retirado da página 137

"Nada é mais difícil de definir do que a linha de demarcação entre a sanidade e insanidade [...] Façam a definição demasiado restrita, e ela deixa de fazer sentido; façam-na demasiado ampla, e toda a raça humana fica presa na rede de arrasto.
Em rigor, somos todos loucos quando cedemos à paixão, ao preconceito, ao vício, à vaidade; mas se todas as pessoas apaixonadas, preconceituosas e vaidosas fossem enclausuradas como loucas, quem ficaria a guardar a chave do manicómio?"
Excerto retirado da página 146


A minha opinião:
Ao contrário do que pensava ao começar esta leitura, este livro não é policial ficcionado, mas é antes um documento histórico baseado numa elaborada pesquisa por parte da autora.
O livro é uma autêntica aula dos primórdios da ciência forense e sobre os primeiros detectives incorporados na polícia.
O caso aconteceu em Junho de 1860 e chocou a Inglaterra victoriana ao ponto da incredulidade sobre a verdade do que aconteceu dividir o país em dois. Um crime tão horrendo e repulsivo a acontecer no seio de uma família numerosa e aparentemente feliz e idílica e cujo assassino era um membro dessa família. Tal facto era impensável para a mentalidade da sociedade da altura. Tanto que conseguiu destruir a carreira do melhor detective da altura, Jonathan Whicher, um dos primeiros oito detectives da Scotland Yard. Um homem brilhante que inspirou pessoas como Edgar Allan Poe, Dickens, Arthur Conan Doyle, Darwin e mesmo Freud. Imaginem... Se Whicher não tivesse aparecido, uma boa parte da obra literária de Poe não tinha surgido e o famoso Sherlock Holmes não existiria. Sem dúvida teríamos um mundo muito mais pobre.
O livro está repleto de outras referências tanto a obras literárias ("Bleak House", "The Woman in white", "The Moonstone", ...) como a pessoas muito conhecidas e personagens. Por várias vezes fiquei espantada com a influência que este caso teve no mundo que conhecemos hoje e com algumas das aprendizagens que fiz com este livro. Por exemplo, quem não se lembra do filme "Vidocq" (2001) interpretado pelo grande Gérard Depardieu? Pois esta estranha personagem existiu mesmo! (Ler excertos)
Este livro será para mim, e acredito para qualquer amante do policial, desde Agatha Christie, a Doyle a Chandler, uma referência e um livro que sem dúvida relerei. Não só pelo misterioso e horrível crime, mas também por causa dos pomenores criados pelo(a) o(a) assassino(a), e pelo deslindar magnífico de Whicher.
Uma leitura que começou por ser o que não esperava, mas que que me espantou, ensinou e enriqueceu acima das expectativas.
Excelente tradução por parte de Fernanda Oliveira e revisão por parte de Rita Pina. De dar os parabéns a Vera Braga pelo excelente design da capa (manteve-se muito próxima da versão original o que no meu entender o livro só beneficiou com isso).
7/10
Lido a 10 de Outubro de 2009

 

Posted by: Miar à chuva in

Sinopse:
Shannon Bodine é uma talentosa ilustradora numa das mais prestigiadas agências de publicidade de Nova York. Mas a sua vida dá uma reviravolta quando descobre a identidade do seu verdadeiro pai: Thomas Concannon. Respeitando a última vontade da falecida mãe, Shannon ganha coragem e viaja até à distante Irlanda. Mas quando lá chega, a sua solidão e vergonha desaparecem na alegria da família que ela nem sabia existir. E na linda paisagem irlandesa, impregnada de lenda e misticismo, Shannon descobre finalmente a possibilidade de um amor que estava predestinado. Herança de Vergonha continua a história das irmãs Concannon, mulheres dos nossos dias, ligadas pelo espírito intemporal da sua terra.


A minha opinião:
Shannon Bodine enfrenta um momento terrível na sua vida. Um momento de perda e dor que nada acalma. A sua mãe, doente terminal, confessa-lhe que o homem que Shannon sempre conheceu como seu pai não o é na verdade. Além da confusão e sofrimento que tal confissão lhe provoca, Shannon ainda tem de lidar com o facto de esta confissão ter aparecido nos últimos momentos de vida da sua mãe, o que levou a que estes fossem preenchidas com palavras dolorosas.
A tudo isto, Shannon ainda tem de lidar com um detective que lhe diz que a família paterna a quer conhecer. Ninguém, com coração, consegue ser insensível ao percurso sentimental desta personagem que fiquei a gostar bastante. Adiciona-se a isto o facto de o adorável Murphy Muldoon, o qual foi irresistível nos 1º e 2º volumes, completar o par romântico, então posso mesmo dizer que ler este livro foi um prazer. Um prazer simples, sem exigências, leve e fresco.
E é desta forma que concluo a minha primeira trilogia desta autora.
7,5/10
Lido a 29 de Fevereiro de 2009